“A literatura infantil é a mãe de toda a literatura”

Míriam Leitão fala sobre seus livros infantis
25 de novembro de 2016


– Como surgiu a vontade de contar histórias para crianças em meio à atribulada rotina de jornalista? E de que forma a Míriam Leitão jornalista e comentarista de economia e a autora de livros infantis convivem  no dia a dia?

R: Eu sempre sonhei com isso, mas a grande inspiração veio na chegada dos netos. Eu fui criança leitora, por isso a minha formação é marcada pelas histórias infantis e o enorme prazer que eu tive ao ler esses livros. Na minha vida cheia de assuntos ásperos, que me obrigam a atravessar documentos muito técnicos, a literatura infantil tem sido um oásis, um momento lúdico.

miriam

– O estranho caso do sono perdido é o seu quarto livro infantil. De onde veio a ideia para a história da neta que quer ajudar a avó a reaprender a dormir?

R: De um diálogo com Mariana, minha neta mais velha. Ela na época tinha sete anos e de fato me fez a pergunta que está no livro. E isso foi o gatilho para o processo criativo que me levou a criar esse mundo imaginário onde os sonos moram.

o-estranho-caso-do-sono-perdido– As relações familiares estão muito presentes em sua obra infantil, como em A menina de nome enfeitado, protagonizado por uma menina e sua tia, Flávia e o bolo de chocolate, que aborda a relação mão e filha, e agora em O estranho caso do sono perdido, que se passa com uma avó e sua neta. Você acredita que a literatura e o hábito da leitura podem ajudar a fortalecer os vínculos familiares e afetivos entre diferentes gerações?

R: Sim, estou convencida de que a literatura infantil ajuda a fortalecer os laços familiares. Ler para um filho, um sobrinho, um neto é um enorme prazer para quem lê e para quem ouve. Além disso, é na infância que se cria o hábito da leitura. A literatura infantil é a mãe de toda a literatura. Eu sei o que os livros infantis fizeram por mim, por isso sempre li para meus irmãos mais novos, filhos, sobrinhos e, hoje, leio para os netos.

– O que esse mergulho na literatura infantil trouxe de mais desafiador e de mais gratificante para a sua vida?

R: É muito difícil escrever para crianças. Eu dou cada passo com muito cuidado. O meu medo a cada livro é de não conseguir estabelecer contato com a criança e ela não gostar da obra. Por isso eu trabalho cada detalhe cuidadosa e carinhosamente. Tenho tido muitas alegrias com os livros quando percebo que a história chegou ao coração da criança. Uma vez uma menina, moradora de São Gonçalo, resumiu o Flávia e o bolo de chocolate com uma frase brilhante: “Todo mundo é da cor da pele”. Uma vez, num lançamento em São Paulo, uma menina me disse: “Já li seu livro umas mil vezes e até sei de cor um pedaço: chuva, galinha, galocha, chá”, falando do A menina de nome enfeitado. O livro A perigosa vida dos passarinhos pequenos permitiu que crianças de uma escola de São Paulo fizessem trabalhos lindos. Enfim, sou uma autora feliz, mas cada livro é um desafio novo.

flavia-e-o-bolo-de-chocolate_instagram

– Qual foi seu livro ou autor preferido quando era criança, aquele que marcou definitivamente a sua infância? 

R: Muitos. Li muito Monteiro Lobato. As histórias clássicas. Os livros de Laura Ingalls Wilder foram uma deliciosa descoberta. As aventuras do Barão de Munchausen ajudaram a pavimentar o caminho da minha imaginação. Tem até um livro perdido, que está na minha memória, mas que não me lembro do nome nem do autor, mas sei a história inteira. É uma aventura cheia de bichos.

– Há algum assunto em especial que pense em abordar num próximo livro infantil?

R: O próximo está quase pronto. É de novo em ambiente rural, onde quatro primos vivem uma aventura na fazenda dos avós. Tenho tentado sempre abordar temas diferentes em cada livro, mas com a preocupação primeira de que os livros sejam divertidos.

TAGS: entrevista, Míriam Leitão,

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.
Campos obrigatórios são marcados *