Coleção da Rocco que reúne romances
policiais assinados exclusivamente por mulheres será lançada
dia 26 de novembro, quarta-feira, às 19h, no Centro Cultural
Justiça Federal, na Cinelândia, RJ.
A jornalista Scarlet Moon, uma das autoras
da série, será a apresentadora da festa de lançamento, interpretando
trechos dos três primeiros títulos da coleção Elas são
de morte.
Romance policial é coisa de homem? Até pode ser, mas as mulheres
também adoram lê-los e escrevê-los. Basta lembrar que o nome
mais popular no gênero é Agatha Christie, inventora do carismático
Hercule Poirot e de romances como Assassinato no Expresso
do Oriente, O caso dos dez negrinhos e Cai
o pano. A Editora Rocco tem o prazer
de lançar os primeiros exemplares da Coleção Elas
são de morte, uma série de 20 romances policiais
assinados exclusivamente por mulheres. Idealizada e coordenada
pela jornalista Denise Assis, a coleção vai mostrar que as
autoras brasileiras têm um jeito muito peculiar de abordar
o universo do crime, do sangue e das investigações policiais.
Para marcar o início da série, uma grande festa será realizada
no dia 26 de novembro, quarta-feira, às 19h, no Salão Nobre
do belíssimo prédio do Centro Cultural Justiça Federal,
na Cinelândia. Os três primeiros títulos serão: Uma
aula de matar, de Ana Arruda Callado; O
jantar da lagartixa, de Ateneia Feijó e O
primeiro crime, de Carmen Moreno. No início
de 2004 mais dois títulos chegam às prateleiras: Vende-se
vestido de noiva, da coordenadora Denise Assis,
e Saracusa.com, da atriz Eliene
Narducci.
Ao todo, 14 autoras já confirmaram seus títulos. Além das
cinco autoras que abrem a coleção, as jornalistas Scarlet
Moon, Regina Zappa, Heloísa Marra e Márcia Cezimbra, as dramaturgas
Maria Carmen Barbosa e Fátima Valença, a atriz Tessy Callado,
a historiadora Mary del Priore e a autora de TV Denise Bandeira.
A coordenadora Denise Assis diz que bolou o título da série
como uma brincadeira ambígua propositalmente. E conta como
selecionou o time que vai mostrar um pouco do que é nosso
noir de saias: “Comecei a me divertir com as escolhas.
Imaginava, por exemplo, esse lado pop da Scarlet Moon se misturando
com a crueldade de um crime e ria, pois eram mundos quase
incompatíveis, mas, por isso mesmo, tudo podia ficar divertido.
Ao mesmo tempo, queria reunir essas mulheres cujos textos
conheço e admiro de um outro universo, e dizer a elas: “Vamos
jogar esse talento na ficção.” Antevia o quanto seria surpreendente
ver a Heloísa Marra, que escreve sobre moda, por exemplo,
assinando uma novela policial e comecei a apostar que o público
poderia gostar desse contraste. Quis também ligar nomes como
os de Denise Bandeira e Maria Carmen Barbosa, que já escrevem
ficção, ao crime. Por que não? Acho que essa coleção é antes
de tudo um ataque de bom humor do início ao fim, na medida
em que se pode falar em crime de forma leve.”
Denise acredita que no Brasil ainda há uma resistência a
mulheres escrevendo policiais, mas diz que já é hora de mudar
este quadro: “O nome Agatha Christie é sinônimo de romance
policial em todo o mundo. Requintada, perspicaz, e acima de
tudo eficiente na arte de manter o mistério até o último minuto,
ou melhor, até a última página, a dama inglesa do gênero é
referência. No Brasil, no entanto, pouco se vê mulheres que
escrevem se arriscando no exercício literário de imiscuir-se
com sangue, investigações e peripécias policiais. Estamos
mudando isso. Afinal, do ponto de vista dos autores policiais,
o crime compensa.”
Neste primeiro grupo de títulos, cada escritora abordou o
suspense de uma maneira. Carmen Moreno preservou suas características
como autora e alicerçou a narrativa de O primeiro
crime no perfil psicológico dos personagens,
enquanto Ana Arruda Callado valeu-se de sua experiência como
professora universitária para ambientar Uma aula
de matar na fogueira das vaidades do meio acadêmico.
Em O jantar da lagartixa, Ateneia
Feijó mistura suspense, ciência e ecologia. Elienne Narducci
ambienta sua trama num cenário absolutamente atual: uma rede
de pedofilia instalada em Copacabana. Denise Assis resgata
um pouco das origens mineiras elegendo a capital Belo Horizonte
como cenário do seu Vende-se vestido de noiva,
romance que mistura crime aos amores desfeitos.